
O pensamento acompanha o ritmo dos olhos, tentando se acostumar à passagem rápida das imagens dentro do veículo. Poderia ser um barco - mas trepida demais, e faz o corpo retesar para manter a coluna ereta e o parco equilíbrio, mesmo sentado.
A velocidade faz com que aqueles caixotões enormes, um bando de gente empilhada umas nas outras - essas coisas que chamam de prédios - passem pelas janelas do ônibus como imagens numa tela de televisão. Se olhar pra fora é ruim, pior pra dentro. Cabelos desgrenhados, olhares cansados e rostos retorcidos por medo e preocupações nem tão difíceis de se imaginar.
E então uma cor diferente passa - não, não passa: rasga! - todo o cinza e olhos cansados e cabelos desgrenhados e... e.
O ônibus pára, ele entra. O vento lhe desarruma os cabelos da fronte, finos como os de um recém-nascido. Tem a pele lisa - não deve ter mais de 25, penso. Usa óculos de aros grossos; pesam um pouco naquele rosto de querubim com enxaqueca, mas não lhe roubam a beleza.
É ligeiramente alto - talvez 1,70m. Esguio, tem uma certa agilidade contida. O corpo acompanha o conjunto: costas largas, pernas longas: ah, as harmoniosas colunas do templo. Uma leve barriguinha de quem, como eu, não é muito afeito a exercícios, mas também não pára quieto. Nádegas - ahh, as nádegas - arredondadas, empinadas, torneadas. Ali minha imaginação dispara em devaneios que me amolecem os ossos e entesam a carne. Ai... já o vejo nú - claro, pelos ruivos distribuídos entre a púbis , o esfíncter e o ânus. A pele da bunda lisa, marmórea - nunca viu o sol.
Não me importo com os outros olhos; é o MEU olhar que o capturou. Posso não tê-lo em carne - mas o aprisiono em minhas retinas e, mais tarde, lhe darei um invólucro de açúcar e veludo. Aí ele vai ser só meu! Ninguém mais vai carregá-lo como eu. Rosno por dentro: "ele é MEU!!"
Ele percebe desconfiado todas aquelas pestanas imbecis olhando para ele. Mas é atras de mim que ele senta. Na passagem, o rastro do seu perfume misturado ao cheiro das axilas - e eu disparo outra vez, tentando reproduzir entre o cérebro e minhas narinas o cheiro que deve haver entre suas bolas e a virilha.
Fecho os olhos para manter ambos presos lá - ele e seu cheiro. Ele surge nu em minha imagem-prisão. Seu pau está duro, rijo. Longo, levemente curvado num arco suave. A pele é fina, e recua para revelar a cabeça úmida e róseo-avermelhada; lateja. Me aproximo e posso ver a pequena fenda por onde cai, discreto, o líquido cristalino que antecede seu prazer. Está quente, tem gosto e cheiros que me dão fome. Fome de estar entre suas pernas.
Mas deixo pra depois. Me levanto do meu assento, vou para o banco de trás. Quero ver a sua nuca. Lembro que os japoneses viam um imenso erotismo nessa região, onde as gueixas deixavam à mostra apenas um pedaço que não passava do limite entre as omoplatas, que clareavam com uma pasta de pó de arroz e óleo de papoula. Mas ele...ah, ele não precisaria. Já era branco, pálido - fantasmático. E eu já nem sabia se ele realmente estava ali ou se fora eu que o havia feito saltar de alguma história ou conto de alcova.
Ele atende ao telefone. Mais um elemento dele que vou subjugar e tornar cativo ao meu desejo! E agora, eu o tenho todo! Carne, vísceras, fluídos, corpo. Em mim, ele está mais carne do que se pudesse o tocar de fato!
O sinal da parada soa. Ele desce.
Não faz mal, eu penso. Dali, já tirei o que precisava. Mas se ele soubesse o que vou fazer com ele depois...
(Imagem de autoria do fantástico fotógrafo Robert Mapplethorpe, extraída de http://latimesblogs.latimes.com/culturemonster/images/2009/02/18/michael_roth1983_2.jpg)
A velocidade faz com que aqueles caixotões enormes, um bando de gente empilhada umas nas outras - essas coisas que chamam de prédios - passem pelas janelas do ônibus como imagens numa tela de televisão. Se olhar pra fora é ruim, pior pra dentro. Cabelos desgrenhados, olhares cansados e rostos retorcidos por medo e preocupações nem tão difíceis de se imaginar.
E então uma cor diferente passa - não, não passa: rasga! - todo o cinza e olhos cansados e cabelos desgrenhados e... e.
O ônibus pára, ele entra. O vento lhe desarruma os cabelos da fronte, finos como os de um recém-nascido. Tem a pele lisa - não deve ter mais de 25, penso. Usa óculos de aros grossos; pesam um pouco naquele rosto de querubim com enxaqueca, mas não lhe roubam a beleza.
É ligeiramente alto - talvez 1,70m. Esguio, tem uma certa agilidade contida. O corpo acompanha o conjunto: costas largas, pernas longas: ah, as harmoniosas colunas do templo. Uma leve barriguinha de quem, como eu, não é muito afeito a exercícios, mas também não pára quieto. Nádegas - ahh, as nádegas - arredondadas, empinadas, torneadas. Ali minha imaginação dispara em devaneios que me amolecem os ossos e entesam a carne. Ai... já o vejo nú - claro, pelos ruivos distribuídos entre a púbis , o esfíncter e o ânus. A pele da bunda lisa, marmórea - nunca viu o sol.
Não me importo com os outros olhos; é o MEU olhar que o capturou. Posso não tê-lo em carne - mas o aprisiono em minhas retinas e, mais tarde, lhe darei um invólucro de açúcar e veludo. Aí ele vai ser só meu! Ninguém mais vai carregá-lo como eu. Rosno por dentro: "ele é MEU!!"
Ele percebe desconfiado todas aquelas pestanas imbecis olhando para ele. Mas é atras de mim que ele senta. Na passagem, o rastro do seu perfume misturado ao cheiro das axilas - e eu disparo outra vez, tentando reproduzir entre o cérebro e minhas narinas o cheiro que deve haver entre suas bolas e a virilha.
Fecho os olhos para manter ambos presos lá - ele e seu cheiro. Ele surge nu em minha imagem-prisão. Seu pau está duro, rijo. Longo, levemente curvado num arco suave. A pele é fina, e recua para revelar a cabeça úmida e róseo-avermelhada; lateja. Me aproximo e posso ver a pequena fenda por onde cai, discreto, o líquido cristalino que antecede seu prazer. Está quente, tem gosto e cheiros que me dão fome. Fome de estar entre suas pernas.
Mas deixo pra depois. Me levanto do meu assento, vou para o banco de trás. Quero ver a sua nuca. Lembro que os japoneses viam um imenso erotismo nessa região, onde as gueixas deixavam à mostra apenas um pedaço que não passava do limite entre as omoplatas, que clareavam com uma pasta de pó de arroz e óleo de papoula. Mas ele...ah, ele não precisaria. Já era branco, pálido - fantasmático. E eu já nem sabia se ele realmente estava ali ou se fora eu que o havia feito saltar de alguma história ou conto de alcova.
Ele atende ao telefone. Mais um elemento dele que vou subjugar e tornar cativo ao meu desejo! E agora, eu o tenho todo! Carne, vísceras, fluídos, corpo. Em mim, ele está mais carne do que se pudesse o tocar de fato!
O sinal da parada soa. Ele desce.
Não faz mal, eu penso. Dali, já tirei o que precisava. Mas se ele soubesse o que vou fazer com ele depois...
(Imagem de autoria do fantástico fotógrafo Robert Mapplethorpe, extraída de http://latimesblogs.latimes.com/culturemonster/images/2009/02/18/michael_roth1983_2.jpg)

6 comentários:
delícia de conto!
boca úmida, desassossego
mancha fresca no algodão branco e macio da cueca
tateio o mamilo, leve gemido
teu texto deseja, desejo teu texto
frente a ele, imagina o que vou fazer...
sossegado, manso...
o mel escorrendo
outro cigarro
relaxo
(mais nada)
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